TERÇA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2015, 12H42 MODIFICADO: TERÇA-FEIRA, 15 DE SETEMBRO DE 2015, 13H29

Em tempos de crise econômica, especialistas explicam como equilibrar a família, financeira e emocionalmente.

André Cunha
Da redação

O cenário econômico do Brasil, bem como de outros países, não é animador pra quem vive sozinho, imagine para quem tem esposa(o) e filhos. Realmente, não está fácil pra ninguém!

Na segunda reportagem da série sobre a família, especialistas explicam como equilibrar a família financeiramente e emocionalmente, em tempo de crise.

De acordo com o economista André Prado, a atual crise econômica atinge as famílias de diversas maneiras: com o aumento dos valores nas contas de energia, combustível; com ajuste fiscal que tende a aumentar impostos, inflação, taxas de financiamentos e outros fatores.

Neste cenário, André sugere que as famílias elejam um de seus membros como controlador financeiro e econômico dos gastos, como forma de se equilibrar na crise. Os demais membros devem procurar compreender o momento e apoiar as decisões tomadas em função das prioridades de cada lar.

O economista lembra ainda que o controle financeiro não deve ser abandonado inclusive pelas famílias mais abastadas. Como estas possuem condições de gastar de forma equilibrada, isto deve ser feito em favor da economia e da geração empregos. “Em outras palavras, consumidores conscientes ajudam na manutenção da economia”, afirmou.

Mas, nem tudo está perdido…

A crise pode ter seu lado bom, dependendo da forma como cada família lida com ela. O Psicólogo Élison Santos, afirma que neste momento, a família precisa se reunir, conversar mais, partilhar as preocupações, se unir ainda mais. Ou seja, uma grande oportunidade para estabelecer o diálogo dentro de casa.

Santos lembra também que a crise, de modo geral, representa um tempo de transformação. “Além dos aspectos econômicos, o Brasil vive uma crise de valores, que a meu ver é bem mais preocupante”, considerou.

“A sociedade fica cada vez mais descrente dos agentes políticos, o governo é visto de forma muito negativa e isto pode gerar, principalmente para a juventude, uma desesperança, um processo que vai de um desacreditar no país até um desacreditar no futuro e no próprio sentido da vida”, acrescentou.

Manter a serenidade e o equilíbrio na crise

Para a família, outro ponto importante segundo Élison, é que os pais não “percam a cabeça”, afirmando para si mesmos e os filhos que há valores que estão acima da economia, que estão acima dos problemas políticos e sociais. “São nestes momentos de crise que surgem as pessoas que mudam o mundo e os jovens precisam ouvir dos pais que eles acreditam nisso. Ter sempre em mente que quem faz o mundo somos cada um de nós e se há momentos difíceis para serem vividos, vamos encarar com coragem e sabedoria, sem perder jamais a fé em Deus e no futuro”.

O Psicólogo Élison Santos também faz uma reflexão sobre o consumismo na família e dá dicas para deixar esse hábito, sobretudo, neste momento de crise. Leia:

“Entendemos por consumismo a busca nos bens materiais por algo a mais do que eles representam de fato. Um celular não é apenas um aparelho para conectar com as pessoas, ele representa um status que traz certo prazer diante dos outros. Diante do consumismo a família precisa se questionar sobre o que é mais importante.

Quantos pais têm vergonha do carro que tem ou do bairro onde moram, ou de não possuir um ou outro bem material que os parentes têm ou os vizinhos possuem. Vencer o consumismo não significa apenas fazer um sacrifício para não comprar coisas que não são necessárias, significa em primeiro lugar refazer as prioridades em uma escala de valores, dizer para si mesmo e para a família o que é mais importante.

Passar um domingo em um parque brincando com os filhos ou fazendo um piquenique pode ser muito mais divertido e prazeroso do que passar o dia no shopping gastando dinheiro. Reunir a família na cozinha para juntos prepararem uma refeição pode ser mais prazeroso do que sair para um restaurante.

Se a família sentar e conversar sobre o que é realmente importante, verá que muito do dinheiro que gasta não é estritamente necessário. É importante ter mais diálogo, mais reflexão, mais silêncio e menos barulho, menos correria no dia a dia da família”.

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